Sábado, 26 de Fevereiro de 2011

O lado obscuro

 

Passou no seu casamento por aquilo que é quase um facto universal - os indivíduos são diferentes uns dos outros. Basicamente, constituem um para o outro um enigma indecifrável. Nunca existe acordo total. Se cometeu algum erro, esse erro consistiu em ter-se esforçado demasiadamente por compreender totalmente a sua mulher e por não ter contado com o facto de, no fundo, as pessoas não quererem saber que segredos estão adormecidos na sua alma. Quando nos esforçamos demasiado por penetrar noutra pessoa, descobrimos que a impelimos para uma posição defensiva e que ela cria resistências porque, nos nossos esforços para penetrar e compreender, ela sente-se forçada a examinar aquelas coisas em si mesma que não desejava examinar. Toda a gente tem o seu lado obscuro que - desde que tudo corra bem - é preferível não conhecer.

Mas isto não é erro seu. É uma verdade humana universal que é indubitavelmente verdadeira, mesmo que haja imensas pessoas que lhe garantam desejar saber tudo delas próprias. É muito provável que a sua mulher tivesse muitos pensamentos e sentimentos que a tornassem desconfortável e que ela desejava ocultar de si mesma. Isto é simplesmente humano. É também por este motivo que tantas pessoas idosas se refugiam na própria solidão, onde não serão incomodadas. E é sempre sobre coisas de que elas não desejariam estar muito cientes. O senhor não é, obviamente, responsável pela existência destes conteúdos psíquicos. Se, apesar disto, ainda for atormentado por sentimentos de culpa, reflicta então sobre os pecados que não cometeu e que gostaria de ter cometido. Isto poderá eventualmente curá-lo dos seus sentimentos de culpa relativamente à sua mulher. C. Jung

 


publicado por o homem das pipocas às 10:37
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O cansaço de Ana

 

Ana costuma olhar pela janela do carro parado na encruzilhado da dúvida, prisioneiro de um semáforo indeciso da cor a indicar ao tráfego agitado da vida. Olha através do vidro e deixa escorrer o olhar por tudo que alcança. Acende a esperança em forma de um cigarro arrojado. Nas fumaças do presente visualiza um poema no conta-quilómetros da sua existência:

“ A vida está cansada

 De gente que não vive

De gente ausente de si mesma.

Andamos perpetuamente em busca de algo

Que está bem longe de nós, bem longe e à frente dos nossos passos,

Talvez num desvio que nunca caminhemos!

Nunca olhamos as flores em nosso redor, nem a felicidade de m sorriso de Agora.

Fazemos poemas de esperança

Fazemos poemas de saudade… e esquecemos de Viver!”

Ps. Há um tio que te adora!

 


publicado por o homem das pipocas às 10:30
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Exuberância do egoismo

 

 

 

Para que serve esse “cachucho” enfiado na exuberância do egoísmo, em cima do qual nenhum ser humano se pode colocar, e essa imagem de “chefe de família” que excede a modéstia e a essência dos laços de sangue? Vi-te frequentes vezes propores modelos de vida que nem tu, que propunhas, tinhas alguma esperança de seguir ou, o que é pior, desejo de o fazer. Para que serve a magnificência e o tamanho do teu transporte privado, quando a única viagem que verdadeiramente fazes não ultrapassa a reduzida distancia que vai de ti a ti? Ouvi frequentes vezes o suspiro artificial das tuas preocupações, quando os teus próprios ouvidos se fechavam aos gemidos de quem contigo partilha uma origem.  Sob a máscara do esquecimento e do equívoco, invocas como justificação a ausência de más intenções, expressas sentimentos e paixões cuja realidade seria bem melhor, tanto para ti próprio como para os outros, que confessasses a partir do momento em que não estás à altura de os dominar.”

 


publicado por o homem das pipocas às 10:24
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A mentira reina sobre o mundo

 

 

 

 

 

“É na faculdade de mentir, que caracteriza a maior parte dos homens actuais, que se baseia a civilização moderna. Ela firma-se na mentira religiosa, na mentira política, na mentira económica, na mentira matrimonial, etc... A mentira formou este ser, único em todo o Universo: o homem antipático.
Actualmente, a mentira chama-se utilitarismo, ordem social, senso prático; disfarçou-se nestes nomes, julgando assim passar incógnita. A máscara deu-lhe prestígio, tornando-a misteriosa, e portanto, respeitada. De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras.

Porque é que, na maior parte das vezes, os homens na vida quotidiana dizem a verdade? Certamente, não porque um deus proibiu mentir. Mas sim, em primeiro lugar, porque é mais cómodo, pois a mentira exige invenção, dissimulação e memória. Por isso Swift diz: «Quem conta uma mentira raramente se apercebe do pesado fardo que toma sobre si; é que, para manter uma mentira, tem de inventar outras vinte». Em seguida, porque, em circunstâncias simples, é vantajoso dizer directamente: quero isto, fiz aquilo, e outras coisas parecidas; portanto, porque a via da obrigação e da autoridade é mais segura que a do ardil. Se uma criança, porém, tiver sido educada em circunstâncias domésticas complicadas, então maneja a mentira com a mesma naturalidade e diz, involuntariamente, sempre aquilo que corresponde ao seu interesse; um sentido da verdade, uma repugnância ante a mentira em si, são-lhe completamente estranhos e inacessíveis, e, portanto, ela mente com toda a inocência.”

 


publicado por o homem das pipocas às 10:16
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